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Luisa Marques Artist

Quanto mais eu desenho... mais eu quero desenhar

Luisa Marques Artist

Quanto mais eu desenho... mais eu quero desenhar

Quanto custa dizer adeus...

... a quem amamos

Luisa Marques, 23.04.25

O adeus definitivo. 

Já se passaram vários meses, mais precisamente 14 meses, mas parece que foi tudo ontem que se passou. Dizem que o tempo tudo cura, menos a saudade que a cada dia que passa aperta mais e só agora é que me sinto capaz de lavrar estas palavras em sua memória.

Ao meu pai...

Cresci a olhar para ele e a vê-lo como a referência do que é se ser, aquilo a que comummente se chama, uma boa pessoa!

Oh, se adorava conversar, de falar com novos e velhos, sempre com uma piada ou anedota na ponta da língua! Confiável. Podia-se-lhe confiar o maior segredo da história ou o tesouro mais poderoso e rico que ninguém saberia da sua existência e no qual ninguém tocaria, o que o fazia dele ser uma pessoa de uma seriedade irrepreensível. Sempre prestável, trabalhador, honesto, leal, esposo fiel, pai, amigo e companheiro.

Habituei-me a tê-lo sempre lá, sempre que precisava de um conselho, um abraço, sem nunca deixar de nos presentear com os seus trocadilhos! Um herói a quem nada nem nenhuma mazela lhe chegava e, não a ver um homem com as suas fragilidades, as suas dúvidas, angustias e teimosias.

Ui se era teimoso...

E foi essa teimosia que mo levou. 

Homem trabalhador.

Tinha à volta de 12 anos, quando perde o seu único irmão, mais novo, devido a uma "rasteira" pregada por uma miúda, numa brincadeira estúpida, no jardim do Príncipe Real. No seio de uma família destroçada pela perda de um filho,  cresceu, mais cedo do que deveria e aos 14 anos começou a exercer ofício, numa gráfica em Lisboa, onde se profissionalizou como tipógrafo.

Anos mais tarde, durante a guerra do Ultramar foi chamado ao serviço e por lá esteve como radio-telegrafista. De cada vez que saia em missão, sempre sem saber se retornaria, pois era considerado o primeiro alvo a ser abatido pelas forças, de então, inimigas. Orgulhava-se de, apesar de ter visto sucumbir muitos companheiros à sua frente e de ter vivido algumas situações mais perigosas, não ter nunca estado na linha da frente onde teria de "lutar" pela sua vida. 

Voltando à sua vida civil, regressou, novamente, à sua profissão onde permaneceu durante mais alguns anos. Casou, teve uma filha e tudo corria bem até, a vida ter dado mais uma volta de 180º e por força das circunstâncias, devido ao meu avô, que trabalhava como contínuo para uma Fundação ter adoecido e como não podia continuar no cargo, foi-lhe proposto assumir as mesmas funções. E assim foi até ao fim, quase, dos seus dias.

O meu pai...

Foi no dia 12 de Dezembro de 2023, que perdi o meu pai para o cancro.

Se não fosse a sua teimosia e fobia levada ao extremo com os médicos podia ter sido, talvez, evitada senão, pelo menos adiada.

Se, para muitos, felizmente, assim que é descoberta a doença dá-se inicio a uma série de exames, análises que levam a tratamentos para a tratar ou prolongar a sua evolução, e assim ganhar meses senão anos de vida, no caso do meu pai não foi assim. Não fomos a tempo. Foi tardiamente diagnosticado e ao fim de 3 meses, entre hospitalização e unidade de cuidados paliativos, onde só permaneceu 1 semana, o meu pai descansou.

O meu pai...

Tinha uma fobia, a "da bata branca".

Se para os outros incentivava a ida a um médico, para ele, ninguém o convencia a ir. Fosse família, amigos, conhecidos, colegas ou administradores do seu emprego, nada nem ninguém o conseguia demover desse medo entranhado nas suas vísceras. O porquê de tal fobia nunca, concretamente, soubemos apenas algumas suposições. 

Quando surgiram os primeiros sinais de que algo estaria errado, foi essa mesma teimosia que fez com que adia-se, e adia-se a ida a um médico. Quando foi, obrigado pelas circunstâncias de saúde em que se encontrava e, por finalmente, se ter conseguido sobrepor a sua vontade, já foi tarde.

Dia 13 de Outubro, uma sexta-feira, considerada pelos supersticiosos um dia de azar, inclusive o meu pai, este deu entrada no hospital. 

Sucederam-se os dias, as semanas de tormenta, de angústia e dor insuportáveis, por sabermos que, nada mais podiamos fazer por ele, para além do que já tinha sido feito no último ano e, que o íamos perder para a sua teimosia.

Restou-nos estar perto dele. Aproveitar a sua presença ao máximo, durante o pouco tempo permitido pelas horas das visitas ao hospital, mesmo não estando já plenamente consciente do que se passava consigo e ao seu redor. 

Custa-me acreditar que perdi o meu pai. O meu herói de quem tantas saudades temos. Do qual guardamos tantas memórias, tantas fotografias que, aos poucos, vão ficando gastas de tanto olharmos para elas.

O tempo passa e cura tudo dizem...

Sim, é uma verdade inquestionável. O tempo passa e a vida segue o seu caminho, mas a saudade, essa, não desaparece, simplesmente fica a moer e a corroer a alma de quem já perdeu alguém, seja eles os pais, avós, marido, mulher ou os filhos. 

Até sempre Zé!

 

IMG_20250416_184234.jpg       Desenho a lápis de cor

 

 

 

 

Desenhar é...

Luisa Marques, 14.08.23

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Desenhar é...

... dar largas à imaginação e deixá-la solta a correr livremente sem amarras nem condicionalismos.

... deixar impresso num papel todas as ideias. Tenham elas a forma que tiverem. Sejam elas obscuras ou iluminadas.

... deixar uma memória marcada a traços de lápis, sombras e formas numa folha de papel.

... terapia.

... por breves momentos, ser-se feliz num tempo sem preocupações nem tristezas.

...simplesmente, verter a alma numa folha de papel.

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A receita perfeita...

... para um desenho a lápis de cera...

Luisa Marques, 23.06.22

Quando me apanho numa loja de belas artes sou como uma criança numa loja de brinquedos... o Natal chegou mais cedo! Quero tudo. Preciso de tudo. Tudo me faz falta, principalmente o fundamental...€s, para dar largas ao consumismo. Mas enfim, acaba sempre por vir mais qualquer coisa do que o inicialmente previsto.

Foi o caso de uma caixa de lápis de cera. Coisa mais banal dir-me-ão, mas não não é.

Ter uma caixa novinha em folha com um material nunca antes usado é em tudo semelhante ao drama da 5h30m com a refeição do jantar! Ora, porque não sabemos o que fazer, são novos, caros e como tal não os quero estragar. Porque nunca os usei e não sei o que dali sairá. Ora, falta a inspiração e quando chega... travão a fundo... que nem sei por onde começar. Já para não falar da falta de tempo.

Desde miúda que nunca mais tinha pegado num lápis de cera e, diga-se de passagem, que também nunca foram a minha primeira escolha. Eu era mais as canetas de feltro e agora os lápis de cor.

Mas já que tinha investido, tinha que dar azo à curiosidade que se me aguçava o espírito e vai daí...

Peguei...

... na caixa de lápis de cera (usei Neocolor I da Caran d'ache)

... numa pitada de foto perfeita

... mais uma folha de papel preta 

À parte

... juntei uns pozinhos de inspiração

... mais uma boa dose de espírito de aventura

Envolvi tudo muito bem e com muito cuidado. Apesar de ter sido super rápida a confeção deste desenho, convém não se fazer muita força com os lápis para não decalcar a folha de papel. Deixei ainda a marinar durante uns dias, passados os quais finalizei enfeitando com uns toques de caneta de gel branco...

...e cá está o resultado final...

O meu, efetivamente, primeiro desenho com lápis de cera!

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Quando te dão um skechtbook novinho em folha...

Para poderes dar largas à tua imaginação, apontar ideias, mas o que tu fazes é...

Luisa Marques, 06.05.22

...isto!

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Eis a primeira folha do meu novo sketchbook!

Se clicarem na foto, podem ver um pequeno vídeo que fiz. É seguro. É na minha conta de instagram.

A segunda já está quase, quase pronta.

Advinhem o que será.

 

 

Psiu.... Gostas de animais?

Sim?! Então espreita aqui estes desenhos...

Luisa Marques, 06.01.22

Não sei se estás a ver pela primeira vez o meu blog... mas se for o caso, muito bem-vindo(a) a este meu cantinho! Onde partilho a minha jornada pelo mundo do desenho com lápis de cor. 

E como quem não quer a coisa... querendo... Se por acaso quiseres eternizar o teu companheiro de vida, quer seja humano, 4 patas, barbatanas, ou até mesmo asas... Não te acanhes e entra em contacto comigo! 

Agora convido-te a continuar a ler, para conheceres um pouco mais sobre este meu trajecto pelo mundo do desenho realista.

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Para começar, não tenho qualquer formação em artes, aliás venho de uma área e trabalho noutra que nada têm a ver com o desenho. Até à presente data nunca frequentei nenhum curso relacionado com desenho. O que faço, puder-se-à talvez dizer autodidacta mas, diria que é principalmente o resultado de muita prática, teimosia e perseverança.

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Sempre gostei de arte em geral, decorativa, em particular. Até meados de 2018, altura em que arrisquei pegar nalguns lápis, sem ter a certeza de conseguir fazer o que quer que fosse com eles... já antes me tinha aventurado e usado outros materiais, tais como, as tintas acrílicas ou as de tecido e dei largas à imaginação. E foram caixas de madeiras, telas, aventais, panos, velas, o que te lembrares. Ou até mesmo fazer bijuteria. Até estive com loja aberta e tudo!

Mas com os lápis é diferente. 

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2018 foi também ele um ano diferente. Um ano em que voltei a virar mais uma página na minha vida e me agarrei com unhas e dentes aos lápis. Como tábua de salvação? Talvez tenha sido... sim.

Certo é que apaixonei-me pelos lápis, os de cor. Apesar de também gostar de grafite ou carvão, os de cor... enchem-me as medidas! Isso e o desenho realista, principalmente quando se trata de animais... gatos. 

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Parece tudo ser mais simples com os lápis. É-me tudo tão intuitivo.

Pega-se numa folha em branco, escolhem-se os lápis, aplicam-se camadas sobre camadas de cor e o desenho vai emergindo num fundo, onde antes reinava o vazio. Ver o "nascimento e o crescimento" de um desenho dá-me agora uma sensação de paz. Se uns vão para o ginásio de-stressarem, eu desenho! Agora, porque antes bem que me irritava não conseguir alcançar o que me propunha. Mas lá está, teimosia e persistência às vezes levam-nos a bom porto. 

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Nada como começar um desenho pelos olhos. Ou não fosse, para a representação dos olhos que o nosso olhar logo procura e se foca quando vemos quer seja um desenho, uma foto ou outra qualquer forma de arte.  E então se forem uns de gato.... I'm in heaven! Simplesmente ADORO desenhar os olhos dos gatos.

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2022 parece-me que vai se outro ano de virar mais uma página. Intuição?! Talvez... Não sei explicar, mas sinto que o será. Só espero que nada de grandes e substanciais mudanças. Só se forem positivas!

Assim espero. 

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Sei que a vida é feita de mudanças. Sejam elas pequenas ou grandes, cabe-nos dar o primeiro passo e enfrentar os nossos medos, receios ou fragilidades. Cliché, mas tão verdade.

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Talvez, tenha chegado a altura de consolidar os pequenos passos que fui dando nesta minha caminhada pelo desenho e aspirar a mais. Sempre grata pelas oportunidades que a vida me deu ao colocar pessoas maravilhosas que acreditam no meu "potencial artístico" e que me foram fazendo pedidos para retratar os seus queridos companheiros de 4 patas.

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Certo que tenho partilhado o que tenho feito aqui e noutras redes sociais. Mas sinto que está na altura de largar as ancoras e partir à aventura. Com isto quero dizer...

Dar, ainda mais, a conhecer o meu trabalho. A quem possa querer um dia vir a requisitar os meus bons préstimos e desenhar quer seja o seu companheiro de 4 patas ou até mesmo um familiar. Humano? Porque não?! Cheira a resolução de ano novo.

Sim. Está na altura de enfrentar os meus receios e de desenhar rostos humanos com mais confiança. E assim abrir o leque para mais oportunidades.

E por que não uma exposição? Isso só o futuro dirá. Mas adoraria os ver expostos.

Enfim, sonhar não custa, como  diz o ditado.

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Se, chegaste até ao fim deste post, ficas-te a saber mais qualquer coisita acerca daqui da je. Só o relacionado com o desenho, porque o resto... Isso são outros carnavais.

Agora, caso tenhas gostado do que viste e queiras ter, ou oferecer, um recuerdo do teu companheiro de vida, familiar, companheiro de 4 patas, barbatanas, ou até mesmo asas...

Já sabes...

Não te acanhes e entra em contacto comigo!

 

 

 

 

 

 

 

Quem aí por casa tem um periquito?!

Luisa Marques, 20.09.21

Têm?! Como se chama?

Não? E gostariam de ter?!

Vá lá... partilhem comigo enquanto eu vou desenhando este pequenote que em tudo é parecido com um que tive.

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Chamava-se Xiquinho. Que nome tão original não é?!

Na altura, era eu miúda e vivia perto do Bairro Alto, em Lisboa. Numa bela tarde, finais de verão, ao passar com a minha mãe, no jardim do Principe Real, a caminho de casa, vimos um grupo de pessoas à volta de um arbusto.

Situação estranha. Como a curiosidade foi mais que muita... fomos também nós ver o que se passava.

E era, nada mais nada menos do que um grupo de pessoas a ver um rapaz a tentar apanhar, sem grande sucesso, um periquito azul que por ali apareceu. Igualzinho a este que estou agora a desenhar.  Especulou-se que teria sido abandonado ou teria fugido, dado certo é que ninguém se queixou do seu desaparecimento.

O rapaz bem tentou. Mas o malandro voava, de ramo em ramo, como que a fintá-lo e como não o conseguia apanhar, acabou por desistir. Assim como quem se aproximou. Voltando às suas vidas. Afinal, é só um periquito, diziam.

Mas não era, nem é, correto deixar um animal abandonado. Quanto mais sem se lhe prestar auxílio. Ainda por cima sabendo que as aves de cativeiro, em liberdade, não sabem se alimentar.

Ora... se todos já tinham tentado e não conseguiam, que hipóteses teria eu? Ou a minha mãe?

Lembro-me tão bem...

É que, ainda por cima, ele não se afastava do arbusto. Esvoaçava de ramo em ramo, mas nunca para longe ou para as árvores mais próximas.

Tentei.

Aproximei-me do arbusto, frondoso, embrenhei-me nele e...

Zás...

Ó mãaaaeeeeee!

Ajuuuuda-me....

E saio de dentro do arbusto com o periquito.

Logo à primeira tentativa?

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Ah! Um pormenor muito importante nesta pequena história.

Sim, é verdade que saí com ele do arbusto. Mas... não fui em que o agarrei. Foi mesmo ele que ferrou o bico no meu dedo e não o largava.

Veio para casa, onde o então batizado Xiquinho de seu nome viveu e foi feliz, espero, durante alguns anos até que a ordem natural das coisas ditou chegada a sua hora.

Hoje, não tenho pássaros engaiolados.

Prefiro os ver a voar, no jardim, em frente à minha janela.

Materiais

* lápis de cor - luminance, polychromos e pablo

* papel branco - Daler Rowney, fine grain - cartdrige

Quem tiver curiosidade de ver um pequenino vídeo da evolução deste desenho, pode espreitar aqui!

Em breve mostro como ficou.

 

Setembro...

Luisa Marques, 06.09.21

Setembro é mês de...

... regressos.

Regresso das férias, às escolas, ao trabalho.

... ver as nossas energias renovadas para se recomeçar onde se parou.

Dar mais um passo no caminho da meta que se anseia.

... celebrarmos o que já alcançámos.

E de nos prepararmos para novas mudanças.

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Regressei.

Talvez, de onde nem nunca tenha saído, apenas ausente, mas a preparar algumas novidades! 

Desenho a lápis de cor

Mudei... novamente... de foto de perfil

Luisa Marques, 01.02.21

 

Precisava, para ter nas minhas redes sociais, de uma foto que fosse de encontro ao que faço (ainda que seja quando tenho tempo) e gosto, que é desenhar.

Engraçado...

Como a vida às vezes nos surpreende.

Apesar de desde que me conheço, gostar de tudo o que está relacionado com a arte. Mas gostar não quer sempre dizer que se faça disso vida. Era bom era! E por isso, pensei eu, em tempos idos, que o que realmente queria fazer era medicina. Primeiro veterinária, depois mudei de ideias e quis ir para enfermagem e acabei a tirar um curso de medicina natural. Pouco exerci. Não por não gostar ou acreditar, que acredito! Faço aqui um reparo... acredito quando exercida, verdadeiramente, por técnicos qualificados e com medicamentos certificados. Tive essa sorte de ter aprendido com bons e muito competentes profissionais.

Mas a vida tinha outras ideias para mim... Ou se calhar ainda não era esse o meu caminho... destino.

E no tempo que a vida tece as linhas que irão coser o nosso destino... voltei-me para as artes decorativas. Fiz pintura, bijuteria na qual estive com loja aberta, crochet, tricô... escolham que eu fiz... Fazia porque precisava de algo para me entreter e com isso ganhar algum. Mas verdadeiramente, não me sentia... dizer realizada é capaz de ser exagerado, mas não andaria muito longe.

Novamente a Roda da Vida deu mais uma volta e os ventos de mudança levaram-me para outros caminhos. Trabalho desde então e até à presente data num escritório, no qual me dou por muito feliz. E dá para conciliar com uma das minhas paixões ligadas às artes decorativas, o desenho.

Corria o ano de 2018 quando, nessa minha procura por algo mais, "descobri" trabalhos feitos com lápis de cor. Trabalhos realistas/hiperrealistas maravilhosos de Jae Kyung e os seus gatos , Heather Rooney e os seus desenhos hiperrealistas, Haruki Kudo (e novamente os seus gatos!) ou a Ami Schütz, entre outros...

Não foi fácil ao princípio, já me convenci de que nunca o é. Desde encontrar os lápis e papel com os quais gosto de trabalhar levou o seu tempo e dinheiro. Assim como, a cada novo desenho, duvidar se seria capaz de algum dia chegar ao nível de alguns daqueles que me inspiram. Ainda hoje duvido, mas sinceramente, o que me importa mesmo é o quanto me posso divertir e gostar daquilo que faço. Porque o resto a prática, o foco e a perseverança trazem.

Tanta volta só para dizer que mudei de foto de perfil.

Enfim...

De entre os desenhos que já fiz, não tantos como gostaria, mas o desenho realista dá trabalho e leva o seu tempo. Alguns podem levar cerca de 40 horas. Ou isso, ou sou como uma tartaruga. De vagar há-de lá se chegar!

Acabei por optar por este amoroso patudinho. Não faço a mais pálida ideia de quem seja. Só sei que quando o vi não resisti à sua simpática e amorosa expressão captada naquele preciso momento de antes de a flor... deixar de ser flor (calculo eu). Encontrei-a  num daqueles sites de imagens grátis e quis por isso desenhá-lo.

Pode ser que ele seja mais uma peça na engrenagem que é a vida e quiçá, brevemente, estarei aqui novamente já com ideias para outros voos... 

Desenhar os vossos pequenos patudos, filhotes, vocês... Quem sabe?!

Gostaria de saber a vossa opinião! 

Para já dou-me por feliz por ter encontrado a foto certa.

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Desenho a lápis de cor em folha A3

 

 

 

 

Ao 13º mês de 2020...

POR FAVOR, tenham cuidado porque as pessoas estão a ficar loucas por voltarem a estar trancadas

Luisa Marques, 25.01.21

Diário de bordo, entrada 391, 25 de janeiro

Ao 13º mês de 2020…

 

Voltámos a casa. Estamos outra vez em confinamento. Mais apertado, não como o de março e abril é certo, pois, parece que perdemos o medo e a sensibilidade aos números de novos casos e vítimas.

E a propósito disto, estava eu a comentar e a partilhar as minhas angústias com o micro-ondas e a máquina de expresso enquanto bebia o meu café e todos concordamos que as coisas estão mesmo MUITO quentes.

Não gosto nada de me sentir vigiada...

Mas a máquina de lavar não tirava o olho de cima de mim. Mas dizer-lhe o quê? Logo ela que tem sempre uma lavagem... diferente para tudo.

Meu querido diário como me recomendas-te, procurei encontrar conforto, uma palavra de esperança e de alento mas...

Com o frigorífico, certamente não pude contar, porque está sempre em modo frio e distante, para não dizer gelado.

Valeu-me o ferro que  estava à escuta dos meus lamentos e prontamente me endireitou!

Disse que a situação não está tão amarrotada como parece e que todas as rugas logo serão eliminadas! Seja lá isso quando for.

Grande ajuda ferro...

O aspirador, esse, está mais antipático do que é costume, disse-me para apenas engolir. Pois aqui está o resultado das poeiradas que andámos a fazer.

Já o ar condicionado. Está mais optimista e disse que quando chegássemos ao verão traria ventos frescos de esperança e de que logo, logo tudo acabaria.

Opinião não partilhada com o aquecedor que aquece... aquece de cada vez que se fala neste tema aqui em casa. 

Mas quando isto é que vai acabar????

Aproximei-me da casa de banho, mas a sanita parecia com pouca descarga. Não quis dizer nada quando lhe pedi a opinião. Assim como a banheira e o lavatório.

Não.

Tenho de sair daqui. Tenho de espairecer e de apanhar ar... disse eu.

Dirigi-me então para a porta da rua  e num piscar de olhos trancou-se, assim que me aproximei dela. Entrei em pânico... Ainda me aproximei e agarrei na maçaneta mas disse-me para me controlar.

Querido diário quase podes adivinhar o que as cortinas e as janelas disseram.... Recompõe-te mulher!

Estamos nisto juntas...

Havemos de ultrapassar isto juntas!

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Desenho a lápis de cor

O meu primeiro desenho de 2021. Uma rosa.

Dizem que nada acontece por acaso. E talvez tenham razão! A escolha desta rosa não só se prendeu, em parte, para experimentar novas ferramentas de apoio ao desenho, pelo meu estado de espírito (está tudo bem por aqui felizmente)... Mas  sobretudo lembrei-me de que tinha, também eu, de agradecer a todos aqueles que, diariamente, lutam contra esta pandemia que assola o planeta. Sejam eles médicos, bombeiros, professores, enfermeiros, pessoal que trabalha no comércio, policias e tantos outros...

Aos doentes, familiares e sobretudo aos que infelizmente perderam as suas vidas. Partilho uma rosa que acalente esperança, a luz nestes dias tão sombrios. E possa trazer um pouquinho de conforto. 

E, por favor, de cada vez que têm de sair, usem máscara, andem com gel desinfectante e sobretudo... mantenham as distâncias.

Podem não ser vocês a apanhar, mas um vosso familiar e depois... depois poderá ser tarde demais.

Juntos vamos ganhar esta guerra!

 

 

O poder de um abraço...

O amor e a arte não abraçam o que é belo, mas o que justamente com esse abraço se torna belo

Luisa Marques, 05.01.21

... nunca fez tanto sentido como agora nestes tempos tão estranhos e difíceis que vivemos.

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Abraço

"É remédio

e faz parte da cura

das doenças do corpo,

das doenças da alma:

cicatriza feridas,

fecha qualquer fissura.

É terapia, é alento,

é brandura.

Está inquieto?

Abraça que acalma."

                                                          Lídia Vasconcelos

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Dentro de um abraço há calor, segurança e aconchego. Há sinceridade, afecto, sorrisos e alegria. Traz memórias do que se viveu...

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...mas também choro, tristeza, saudade dos braços que nunca mais se encontrarão...

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Desenho a lápis de cor - último desenho de 2020

Retrato memorial de um momento que nunca mais se repetirá...

Partilhado com permissão